quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O Sal da Terra - Martin Niemöller

Como líder do movimento “Jovens Reformadores” [Jungreformatorische Bewegung] e fundador da “Igreja Confessional” (Die bekennende Kirche) na Alemanha, o pastor luterano Martin Niemöller via o poder da Palavra de Deus como a única arma que a igreja dispunha contra o mal. Além do mais, a sua defesa das crenças históricas reformadas não era mero exercício de preservação de antigüidades, mas alicerçava-se na sua confiança de que estas verdades eram importantes em todas as épocas. Numa de suas cartas da prisão escreveu: “Não luto pelo argumento teológico luterano, mas pela igreja do nosso Senhor Jesus Cristo, pois os ataques de hoje não são apenas contra Lutero; e se Calvino é hoje desacreditado, não é ele, mas o Senhor Jesus Cristo”.

Foi preso pela Gestapo [a polícia secreta do Estado] em 1937 e posto na prisão de Berlin-Moabit, até que o seu caso fosse julgado oito meses depois. Mas, após ter cumprido a sua sentença, Adolf Hitler declarou, irado, que ele era um dos seus “prisioneiros pessoais” e o enviou para os campos de concentração de Sachsenhausen e Dachau onde foi libertado pelos aliados no fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Após a guerra ficou conhecido ao redor do mundo como o “pastor Niemöller”, por advertir sobre as lições do holocausto e a necessidade de comprometimento da igreja. Segue um excerto de um dos mais famosos sermões deste pastor, pregado para a igreja em Berlin-Dahlem, na Alemanha, em meados de 1936, pouco antes de sua prisão:

[…] “Vós sois o sal da terra; […] vós sois a luz do mundo” [Mateus 5.13-14].

Quando hoje li estas palavras, elas se tornaram, para mim, verdadeira novidade. Tornei atrás e as reli, e senti um refrigério interior quando encontrei, no quinto capítulo de Mateus, as palavras que as antecediam, as quais conhecia tão teoricamente: “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus”, e o texto vai adiante como se não houvesse interrupção entre a perseguição da comunidade de Jesus Cristo e o “vós sois o sal da terra; […] vós sois a luz do mundo”, mas como se estivessem diretamente relacionadas.

Devo dizer dessa passagem da Bíblia – que conheço desde criança – e que só hoje é que, pela primeira vez, compreendi esta seqüência de idéias, que o que o Senhor Jesus Cristo está falando aos Seus discípulos é: “Vós sereis injuriados e perseguidos, sereis acusados falsamente”, para logo imediatamente acrescentar, “vós sois o sal da terra; vós sois a luz do mundo”.

Entretanto, irmãos e irmãs, há algo nelas que parece não se ajustar às nossas tribulações. “Vós sois o sal da terra”. O Senhor Jesus não quer dizer, entretanto, que devamos cuidar em distribuir o sal entre as pessoas, mas chama a nossa atenção para uma outra responsabilidade: “E se o sal for insípido, com que se há de salgar?” A nossa responsabilidade não é como passaremos o sal, mas, como veremos, como é que o sal é e deve continuar a ser sal para que o nosso Senhor Jesus Cristo – que é, por assim dizer, o cozinheiro responsável por este grande cozimento – possa utilizá-lo conforme Seus propósitos.

Irmãos e irmãs, em resposta à questão em que se é, ou não, possível ao Senhor Jesus Cristo prestar assistência prática ao nosso povo hoje, sou obrigado a dizer que não vejo hoje a menor possibilidade de se prestar assistência, entre o povo, ou em que o sal pode ser usado no meio do povo. Mas, irmãos e irmãs, isso não é da nossa alçada, mas do Senhor Jesus. Devemos tão-somente cuidar para que o sal não perca seu sabor, isto é, que não perca a sua capacidade de salgar. Que quer dizer isto?

O problema com o qual devemos nos preocupar é como salvar, neste momento, a comunidade cristã, do perigo de ser lançada no mesmo caldeirão do mundo; quer dizer: ela deve guardar-se distintamente do resto do mundo através da virtude de sua “salinidade”. Como a comunidade de Cristo é diferente do mundo?

Temos passado por dias de perigo – que não acabaram ainda – quando nos é dito: “Tudo será bem diferente quando, como Igreja, deixarem de pregar aquilo que é contrário a tudo quanto todo mundo em torno de vocês está pregando. Devem adequar a sua mensagem ao mundo; devem realmente ter o credo de vocês em harmonia com o presente, e então tornar-se-ão novamente influentes e poderosos”.

Caros irmãos, é isso que significa o sal perder o seu sabor. Não cabe a nós preocuparmo-nos como o sal é utilizado, mas certificarmo-nos de que ele não perca o seu sabor. Aplicando uma antiga divisa de quatro anos atrás: “O Evangelho deve continuar a ser o Evangelho; a Igreja deve continuar a ser a Igreja; o Credo deve continuar a ser o Credo; os cristãos evangélicos devem continuar a ser os cristãos evangélicos”. E – pelos céus – não devemos produzir um evangelho alemão tomado do Evangelho; não devemos – pelos céus – construir uma igreja alemã tomada da Igreja de Cristo; e – por amor a Deus – não devemos fazer cristãos alemães tirados dos cristãos evangélicos!

A nossa responsabilidade é esta: “Vós sois o sal da terra”. É precisamente quando fazemos o sal estar de acordo e em harmonia com o mundo que tornamos impossível ao Senhor Jesus Cristo, através da Sua Igreja, fazer qualquer coisa em nossa nação. Mas se o sal continuar a ser sal, confiemo-lo a Ele que o usará de maneira que se tornará uma bênção. […]

Caros amigos, é nosso trabalho a obrigação de não cessar nossos esforços em favor da pregação da Palavra, para que a Palavra do nosso Senhor Jesus Cristo seja cumprida em nós. Somos a cidade sobre o monte à qual foi prometido que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela. […]

Irmãos e irmãs, a cidade de Deus não será aniquilada pela tempestade. Jamais será conquistada, mesmo que seus inimigos tomem seus muros exteriores. A cidade de Deus permanecerá, porque a sua fortaleza vem do alto, por que o Cordeiro está com ela, portanto permanecerá firmemente estabelecida. […]

E que Deus nos ajude a aprender essa verdade!

—————————————

Artigo publicado originalmente na revista Modern Reformation volume 5, issue 4 (July/August 1996), e traduzido e publicado na revista Os Puritanos ano 5, no 3 (Maio/Junho 1997), p. 22. O sermão completo se encontra em: www.abcog.org/niemoll.htm.






quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Mosteiros Evangelicos

 Tem muita gente se escondendo atrás de ministérios e atividades da igreja, igrejas de costumes rigorosos e rígidas disciplinas, campos ou agencias missionárias, constantes retiros, encontros tremendos, com o fim de desintoxicá-lo do mundo, fazendo desses seus conventos, seus mosteiros, crendo que assim poderão escapar do pecado, ou que terão menos influência de seu coração corrupto, caminhando para a santificação, porem, esse não é o melhor caminho para a santificação. Como disse John Ryle:
A verdadeira santificação não leva o crente a evitar as dificuldades, antes, leva-o a enfrentá-las e conquistá-las. [...] O tipo bíblico do homem santificado não é o homem que se oculta em uma caverna, mas que glorifica a Deus sendo senhor ou servo, sendo pai ou filho, na família ou nas ruas, no mundo dos negócios ou comércios. Nosso Senhor mesmo disse em Sua ultima oração: “Não peço que os tire do mundo; e, sim que os gurde do mal” (Jo 17.15).

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Quem somos nós para Julgar ??

 "Quem somos  nós para julgar?"
Muitos os Julgam, mas quem somos nós para julgarmos alguem? isso cabe só a Deus, o que podemos fazer é orar por cada um deles!
Como? Não devemos julgar? Como assim? Acaso, não foi Paulo quem disse que nós iremos julgar o mundo? E mesmo, que devemos julgar as coisas desta vida? Não foi ele quem disse que devemos expulsar os malfeitores (falando da igreja)? Como pode fazer isso sem julgar?

Não foi o mesmo Apóstolo quem nos ensinou que “o homem espiritual julga todas as coisas, sendo, porem, ele mesmo não é julgado por ninguém”? Ou antes, quem escreveu: julguem vocês mesmos o que “eu” digo?

Mas quem foi Paulo para falar de julgamento, quando o próprio Cristo disse: “Não julguem, para que vocês não sejam julgados”? Ou será que somos nós entendemos errado a fala de Jesus, nos esquecendo do que, logo após Ele diz: “da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados”?

O julgamento que Jesus ensina aqui, não é o julgamento ensinado hoje, que nos mantém cativos aos falsos ensinamentos de falsos mestres, sem que possamos contestá-los. Jesus não está proibindo o julgamento, Ele mesmo disse aos fariseus: “por que não julgais também por vós mesmos o que é justo?”.

O julgamento de Mateus 7, que é tão mal usado para defender as obras de muitos falsos profetas, fala na verdade sobre a crítica e o mau julgamento em cima da pessoas, quando os nossos pecados são ainda maiores. É só lermos atentamente Mateus 7:1-5 algumas vezes para perceber essa verdade.

Agora, sobre os tais “homens de Deus”, realmente concordo que alguns desses são verdadeiramente fieis servos de Deus, no entanto, outros dos que estão na imagem são gigantemente usados para a vergonha do nome de Deus, com falsos ensinamentos e doutrinas de demônios, pregando somente aquilo que enche o ego das pessoas, prometendo o mundo, distorcendo a bíblia e criando inimigos de Deus, pessoas feridas em sua fé. Se hoje a igreja tem tantos inimigos, alguns dos maiores culpados estão aí na imagem, entre outros, que não foram colocados na imagem.

“O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios. Tais ensinamentos vêm de homens hipócritas e mentirosos, que têm a consciência cauterizada” 1Tm 4:1,2

Ah, e “quem somos nós para julgar”?

Eu sou um filho de Deus, que luta sim contra os falsos ensinamentos e falsos profetas, e lutarei por uma igreja mais saudável, mais pura e mais humilde. Mesmo que não consiga ver em vida, mas estou bem certo que verei na eternidade.

Referências: Lc 12:57; 1Co 2:15; 1Co 10:14,15; 1Ts 5:21; 1Co 5:12,13; 1Co 6:1-5; Mt 7:1-5; MT 18.15-17; João 7.24
 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

40 Autores Altamente Recomendados


Elaboramos uma pequena lista com 40 teólogos muito fiéis doutrinariamente, recomendados a todos os cristãos, sejam estudantes de teologia, líderes, pastores ou irmãos interessados em crescer no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo.

A lista está em ordem alfabética:

A. A. Hodge
Abraham Kuyper
Agostinho
Anthony Hoekema
Augustus Nicodemus Lopes
A. W. Tozer
Arthur W. Pink
Benjamin Warfield
Charles Haddon Spurgeon
Charles Hodge
C. S. Lewis
Dave Hunt
Francis Schaeffer
Gordon Clark
Greg L. Bahnsen
J. C. Ryle
J. I. Packer
João Calvino
John Bunyan
John Hendryx
John MacArthur
John Murray
John Owen
John Piper
John Stott
Jonathan Edwards
Louis Berkhof
Martinho Lutero
Martyn Lloyd-Jones
Matthew Henry
Paulo Romeiro
R. C. Sproul
Richard Baxter
Richard Sibbes
Ronald Hanko
Rousas John Rushdoony
Vincent Cheung
Wayne Grudem
W. Gary Crampton
William Hendriksen


Vários outros nomes poderiam ser incluídos nesta lista, mas estes já são um bom começo para quem está montando sua biblioteca teológica. Algumas obras deles podem ser baixadas gratuitamente em nosso site na seção de livros. Outras podem ser adquiridas em livrarias cristãs ou diretamente nos sites das editoras.
E você, recomenda mais algum autor? Deixe seu comentário abaixo.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Cidades Brasileiras Menos Evangelizadas, uma Perspectiva Gaúcha

Olá meus queridos leitores e amigos, gaúchos, paulistas, cariocas, cearences... nortistas, nordestinos, sulistas e de todas as regiões brasileiras, onde o evangelho está se desenvolvendo.

Esta semana estava pesquisando sobre as cidades menos evangelizadas do Brasil. A dois anos, quando fiz essa mesma pesquisa me surpreendi ao descobrir que os estados do Sul, em especial o Rio Grande do Sul, estavam entre os Estados menos evangelizados do Brasil. Hoje, não me surpreenderia observar a mesma estatística. No entanto, o post que publico abaixo me chamou a atenção ao afirmar a existência de onze (11) cidades brasileiras sem o menor numero de evangélicos, como eu disse, não me surpreenderia, hoje, ver o RS na lista, não me surpreendeu, mas me entristeceu quando vi que somente duas, destas onze cidades, não eram gauchas.

O post está meio desatualizando, dado ao fato de o autor usar como base o censo do ano 2000. Então pesquisei algumas destas cidades, e pude achar uns pequenos grupos de evangélicos, algumas igrejas, já umas delas não consegui achar muita coisa. Outra fato que devemos considerar no texto abaixo, é que 0% (“zero” de evangélicos, como o autor coloca) não significa a falta de evangélicos. Na estatística o "0%" quer dizer um numero muito baixo, tão baixo que não houve uma representação numérica. Quando um certo numero não é encontrado, nesse caso de evangélicos, é usado um hífen ( - ) pra a representação. Isso indica, que quando o censo foi realizado (em 2000), havia sim um numero de evangélicos nas cidades, porem um numero muito baixo, quase insignificante.

O que gostaria de considerar neste texto?

Gostaria de chamar a atenção à importância das missões brasileira, à grande comissão, à importância da visão de reino da igreja, das orações por missões, do investimento para abertura de igreja. E gostaria de abrir os olhos dos nossos irmãos gaucho, e de todos os evangélicos brasileiros para essa necessidade.

Como diz aquela musica do Clamor Pelas Nações: 

“o Mundo adormece nas trevas
Pois a Igreja não luta, pois dorme na luz!!!”

Vamos abrir nossos olhos igreja.


Segue o Texto na Integra:


11 cidades sem nenhuma presença evangélica – Brasil

Sempre que falamos em missão, pensamos logo em ir para o exterior, mais e o nosso Brasil, o evangelho já tem chegado aos quatro cantos do nosso País? Veja estes dados do censo do IBGE do ano de 2000. É grande mais vale apena ser lido, é surpreendente. Os dados do Censo de 2000 listou 5560 muncípios, mostrando que existem 71 cidades com menos de 1% de evangélicos. A Região Nordeste do Brasil está muito atrás do restante do Brasil em termos de presença evangélica. A média de presença evangélica dentre a população em todas as regiões do país é de 15,41%. No Nordeste, essa média cai para 10,26%. Enquanto que 12 estados brasileiros apresentam taxas acima de 20%, o Nordeste não há nenhum estado com mais de 15% de evangélicos em sua população. E pior. Em 6 estados nordestinos a população de Evangélicos está abaixo de 10%: Alagoas, Ceará, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Desses seis estados, Paraíba é o que possui a maior concentração de cidades com menos de 5% de evangélicos. Alagoas fica com o lamentável índice de estado com a maior concentração de cidades com menos de 1% de evangélicos. Já o estado do Piauí é o que possui a população com o mais baixo percentual de evangélicos do país. A capital baiana – Salvador – cidade nacionalmente conhecida pelo grande número de adeptos da Umbanda e do Candomblé, só aparece na 172ª posição da lista.Em 11 cidades brasileiras, o índice de evangélicos é “zero”, ou seja, o censo do IBGE não contabilizou nenhum único evangélico.O Rio Grande do Sul é o estado onde se concentra o maior número de cidades com índice “zero” de evangélicos – 9 cidades ao todo. As 11 cidades sem nenhuma presença evangélica são: Queluzito (MG), Carrapateira (Pb), Boa Vista do Sul (R.G. do Sul), Nova Alvorada (R. G. do Sul), Nova Roma do Sul (R.G. do Sul), Protásio Alves (R. G. do Sul), Relvado (R. G. do Sul), Santo Antônio do Palma (R. G. do Sul), São Jorge (R. G. do Sul), União da Serra (R. G. do Sul), Vespasiano Correa (R. G. do Sul). Essas cidades merecem a atenção da Igreja brasileira. A Região Sul também possui a menor taxa de crescimento anual de evangélicos em todo o país. Entre as 20 cidades brasileiras com maiores índices de seguidores da Umbanda e Candomblé, 16 estão no Rio Grande do Sul e 4 delas aparecem no topo da lista: Rio Grande, Dezesseis de Novembro, Viamão e Bagé. Nova Ibiá, na Bahia, com 7.166 moradores destaca-se como a cidade com o maior percentual de habitantes “sem religião”. Em todo o Brasil 12,5 milhões de pessoas declararam-se sem religião. Esse índice é tão alto que só não ultrapassa o número de católicos e evangélicos. Se somarmos os números de seguidores de todas as religiões – não incluindo católicos e nem evangélicos – o valor dos que se declararam “sem religião” chega a ser mais do que o dobro do número de adeptos de todas as religiões somadas.

Fonte: http://duquepeniel.wordpress.com/2010/10/27/11-cidades-sem-nenhuma-presenca-evangelica-brasil/

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Os Cinco Solas da Reforma - A Declaração de Cambridge




Declaração de Cambridge

As igrejas evangélicas de hoje estão cada vez mais dominadas pelo espírito deste século em vez de pelo Espírito de Cristo. Como evangélicos, nós nos convocamos a nos arrepender desse pecado e a recuperar a fé cristã histórica.

No decurso da História, as palavras mudam. Na época atual isso aconteceu com a palavra evangélico. No passado, ela serviu como elo de união entre cristãos de uma diversidade ampla de tradições eclesiásticas. O evangelicalismo histórico era confessional. Acolhia as verdades essenciais do Cristianismo conforme definidas pelos grandes concílios ecumênicos da Igreja. Além disso, os evangélicos também compartilhavam uma herança comum nos "solas" da Reforma Protestante do século 16.

Hoje, a luz da Reforma já foi sensivelmente obscurecida. A conseqüência foi a palavra evangélico se tornar tão abrangente a ponto de perder o sentido. Enfrentamos o perigo de perder a unidade que levou séculos para ser alcançada. Por causa dessa crise e por causa do nosso amor a Cristo, seu evangelho e sua igreja, nós procuramos afirmar novamente nosso compromisso com as verdades centrais da reforma e do evangelicalismo histórico. Nós afirmamos essas verdades e não pelo seu papel em nossas tradições, mas porque cremos que são centrais para a Bíblia.

SOLA SCRIPTURA: A Erosão da Autoridade

Só a Escritura é a regra inerrante da vida da igreja, mas a igreja evangélica atual fez separação entre a Escritura e sua função oficial. Na prática, a igreja é guiada, por vezes demais, pela cultura. Técnicas terapêuticas, estratégias de marketing, e o ritmo do mundo de entretenimento muitas vezes tem mais voz naquilo que a igreja quer, em como funciona, e no que oferece, do que a Palavra de Deus. Os pastores negligenciam a supervisão do culto, que lhes compete, inclusive o conteúdo doutrinário da música. À medida que a autoridade bíblica foi abandonada na prática, que suas verdades se enfraqueceram na consciência cristã, e que suas doutrinas perderam sua proeminência, a igreja foi cada vez mais esvaziada de sua integridade, autoridade moral e discernimento.

Em lugar de adaptar a fé cristã para satisfazer as necessidades sentidas dos consumidores, devemos proclamar a Lei como medida única da justiça verdadeira, e o evangelho como a única proclamação da verdade salvadora. A verdade bíblica é indispensável para a compreensão, o desvelo e a disciplina da igreja.

A Escritura deve nos levar além de nossas necessidades percebidas para nossas necessidades reais, e libertar-nos do hábito de nos enxergar por meio das imagens sedutoras, clichês, promessas e prioridades da cultura massificada. É só à luz da verdade de Deus que nós nos entendemos corretamente e abrimos os olhos para a provisão de Deus para a nossa sociedade. A Bíblia, portanto, precisa ser ensinada e pregada na igreja. Os sermões precisam ser exposições da Bíblia e de seus ensino, não a expressão de opinião ou de idéias da época. Não devemos aceitar menos do que aquilo que Deus nos tem dado.

A obra do Espírito Santo na experiência pessoal não pode ser desvinculada da Escritura. O Espírito não fala em formas que independem da Escritura. À parte da Escritura nunca teríamos conhecido a graça de Deus em Cristo. A Palavra bíblica, e não a experiência espiritual, é o teste da verdade.

Tese 1: Sola Scriptura

Reafirmamos a Escritura inerrante como fonte única de revelação divina escrita, única para constranger a consciência. A Bíblia sozinha ensina tudo o que é necessário para nossa salvação do pecado, e é o padrão pelo qual todo comportamento cristão deve ser avaliado.

Negamos que qualquer credo, concílio ou indivíduo possa constranger a consciência de um crente, que o Espírito Santo fale independentemente de, ou contrariando, o que está exposto na Bíblia, ou que a experiência pessoal possa ser veículo de revelação.

SOLO CHRISTUS: A Erosão da Fé Centrada em Cristo

À medida que a fé evangélica se secularizou, seus interesses se confundiram com os da cultura. O resultado é uma perda de valores absolutos, um individualismo permissivo, a substituição da santidade pela integridade, do arrependimento pela recuperação, da verdade pela intuição, da fé pelo sentimento, da providência pelo acaso e da esperança duradoura pela gratificação imediata. Cristo e sua cruz se deslocaram do centro de nossa visão.

Tese 2: Solo Christus

Reafirmamos que nossa salvação é realizada unicamente pela obra mediatória do Cristo histórico. Sua vida sem pecado e sua expiação por si só são suficientes para nossa justificação e reconciliação com o Pai.

Negamos que o evangelho esteja sendo pregado se a obra substitutiva de Cristo não estiver sendo declarada e a fé em Cristo e sua obra não estiver sendo invocada.

SOLA GRATIA: A Erosão do Evangelho

A Confiança desmerecida na capacidade humana é um produto da natureza humana decaída. Esta falsa confiança enche hoje o mundo evangélico – desde o evangelho da auto-estima até o evangelho da saúde e da prosperidade, desde aqueles que já transformaram o evangelho num produto vendável e os pecadores em consumidores e aqueles que tratam a fé cristã como verdadeira simplesmente porque funciona. Isso faz calar a doutrina da justificação, a despeito dos compromissos oficiais de nossas igrejas.

A graça de Deus em Cristo não só é necessária como é a única causa eficaz da salvação. Confessamos que os seres humanos nascem espiritualmente mortos e nem mesmo são capazes de cooperar com a graça regeneradora.

Tese 3: Sola Gratia

Reafirmamos que na salvação somos resgatados da ira de Deus unicamente pela sua graça. A obra sobrenatural do Espírito Santo é que nos leva a Cristo, soltando-nos de nossa servidão ao pecado e erguendo-nos da morte espiritual à vida espiritual.

Negamos que a salvação seja em qualquer sentido obra humana. Os métodos, técnicas ou estratégias humanas por si só não podem realizar essa transformação. A fé não é produzida pela nossa natureza não-regenerada.

SOLA FIDE: A Erosão do Artigo Primordial

A justificação é somente pela graça, somente por intermédio da fé, somente por causa de Cristo. Este é o artigo pelo qual a igreja se sustenta ou cai. É um artigo muitas vezes ignorado, distorcido, ou por vezes até negado por líderes, estudiosos e pastores que professam ser evangélicos. Embora a natureza humana decaída sempre tenha recuado de professar sua necessidade da justiça imputada de Cristo, a modernidade alimenta as chamas desse descontentamento com o Evangelho bíblico. Já permitimos que esse descontentamento dite a natureza de nosso ministério e o conteúdo de nossa pregação.

Muitas pessoas ligadas ao movimento do crescimento da igreja acreditam que um entendimento sociológico daqueles que vêm assistir aos cultos é tão importante para o êxito do evangelho como o é a verdade bíblica proclamada. Como resultado, as convicções teológicas freqüentemente desaparecem, divorciadas do trabalho do ministério. A orientação publicitária de marketing em muitas igrejas leva isso mais adiante, apegando a distinção entre a Palavra bíblica e o mundo, roubando da cruz de Cristo a sua ofensa e reduzindo a fé cristã aos princípios e métodos que oferecem sucesso às empresas seculares.

Embora possam crer na teologia da cruz, esses movimentos a verdade estão esvaziando-a de seu conteúdo. Não existe evangelho a não ser o da substituição de Cristo em nosso lugar, pela qual Deus lhe imputou o nosso pecado e nos imputou a sua justiça. Por ele ter levado sobre si a punição de nossa culpa, nós agora andamos na sua graça como aqueles que são para sempre perdoados, aceitos e adotados como filhos de Deus. Não há base para nossa aceitação diante de Deus a não ser na obra salvífica de Cristo; a base não é nosso patriotismo, devoção à igreja, ou probidade moral. O evangelho declara o que Deus fez por nós em Cristo. Não é sobre o que nós podemos fazer para alcançar Deus.

Tese 4: Sola Fide

Reafirmamos que a justificação é somente pela graça somente por intermédio da fé somente por causa de Cristo. Na justificação a retidão de Cristo nos é imputada como o único meio possível de satisfazer a perfeita justiça de Deus.

Negamos que a justificação se baseie em qualquer mérito que em nós possa ser achado, ou com base numa infusão da justiça de Cristo em nós; ou que uma instituição que reivindique ser igreja mas negue ou condene sola fide possa ser reconhecida como igreja legítima.

SOLI DEO GLORIA: A Erosão do Culto Centrado em Deus

Onde quer que, na igreja, se tenha perdido a autoridade da Bíblia, o­nde Cristo tenha sido colocado de lado, o evangelho tenha sido distorcido ou a fé pervertida, sempre foi por uma mesma razão. Nossos interesses substituíram os de Deus e nós estamos fazendo o trabalho dele a nosso modo. A perda da centralidade de Deus na vida da igreja de hoje é comum e lamentável. É essa perda que nos permite transformar o culto em entretenimento, a pregação do evangelho em marketing, o crer em técnica, o ser bom em sentir-nos bem e a fidelidade em ser bem-sucedido. Como resultado, Deus, Cristo e a Bíblia vêm significando muito pouco para nós e têm um peso irrelevante sobre nós.

Deus não existe para satisfazer as ambições humanas, os desejos, os apetites de consumo, ou nossos interesses espirituais particulares. Precisamos nos focalizar em Deus em nossa adoração, e não em satisfazer nossas próprias necessidades. Deus é soberano no culto, não nós. Nossa preocupação precisa estar no reino de Deus, não em nossos próprios impérios, popularidade ou êxito.

Tese 5: Soli Deo Gloria

Reafirmamos que, como a salvação é de Deus e realizada por Deus, ela é para a glória de Deus e devemos glorificá-lo sempre. Devemos viver nossa vida inteira perante a face de Deus, sob a autoridade de Deus, e para sua glória somente.

Negamos que possamos apropriadamente glorificar a Deus se nosso culto for confundido com entretenimento, se negligenciarmos ou a Lei ou o Evangelho em nossa pregação, ou se permitirmos que o afeiçoamento próprio, a auto-estima e a auto-realização se tornem opções alternativas ao evangelho.

Um Chamado ao Arrependimento e à Reforma

A fidelidade da igreja evangélica no passado contrasta fortemente com sua infidelidade no presente. No princípio deste mesmo século, as igrejas evangélicas sustentavam um empreendimento missionário admirável e edificaram muitas instituições religiosas para servir a causa da verdade bíblica e do reino de Cristo. Foi uma época em que o comportamento e as expectativas cristãs diferiam sensivelmente daquelas encontradas na cultura. Hoje raramente diferem. O mundo evangélico de hoje está perdendo sua fidelidade bíblica, sua bússola moral e seu zelo missionário.

Arrependamo-nos de nosso mundanismo. Fomos influenciados pelos "evangelhos" de nossa cultura secular, que não são evangelhos. Enfraquecemos a igreja pela nossa própria falta de arrependimento sério, tornamo-nos cegos aos pecados em nós mesmo que vemos tão claramente em outras pessoas, e é indesculpável nosso erro de não falar às pessoas adequadamente sobre a obra salvadora de Deus em Jesus Cristo.

Também apelamos sinceramente a outros evangélicos professos que se tenham desviado da Palavra de Deus nos assuntos discutidos nesta declaração. Incluímos aqueles que declaram haver esperança de vida eterna sem fé explícita em Jesus Cristo, os que asseveram que quem rejeita a Cristo nesta vida será aniquilado em lugar de suportar o juízo justo de Deus pelo sofrimento eterno e os que dizem que os evangélicos e os católicos romanos são um em Jesus Cristo, mesmo quando a doutrina bíblica da justificação não é crida.

A Aliança de Evangélicos Confessionais pede que todos os crentes dêem consideração à implementação desta declaração no culto, ministério, política, vida e evangelismo da igreja.

Em nome de Cristo. Amém.

Aliança de Evangélicos Confessionais.
Cambridge, Massachusetts
20 de abril de 1996



_______

Fonte:
REFORMA HOJE: Uma convocação feita pelos evangélicos confessionais. Autores: James M. Boice, Gene Edward Veith, Michael Horton, Sinclar Ferguson e outros. Editora Cultura Cristã
  
internautascristaos.com.br

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Uma breve consideração sobre o Calvinismo

O sistema de doutrina que carrega o nome de João Calvino de forma alguma foi originado por ele (o próprio Calvino repudiava contundentemente este apelido). Calvinismo é meramente um apelido pelo qual os teólogos referem-se ao dogma ensinado por toda a Sagrada Escritura, inclusive na doutrina apostólica. Calvino foi quem elaborou, pela primeira vez, estes princípios doutrinários em um sistema formal, porém estes princípios doutrinários não se originaram com João Calvino, mas sim das Escrituras Sagradas.

Historicamente a Igreja Cristã tem sido predominantemente Calvinista. O segundo e terceiro século não produziram um tratado de teologia sistemática per se (por si só), mas os escritos do período Patrístico (teólogos a partir do final do século I, logo que o Novo Testamento foi concluído) revelam o Calvinismo. As doutrinas destes primeiros anos foram desenvolvidas adicionalmente durante o tempo de Agostinho de Hipona (354-430 d.C), uma das maiores mentes teológicas que Deus já deu à sua igreja. Agostinho foi tão fortemente Calvinista, que João Calvino referia a si mesmo como um teólogo Agostiniano. A teologia de Agostinho dominou a igreja por um milênio. Durante este período da Idade Média (400-1500 d.C), vários Calvinistas (e.g., John Wycliffe [traduziu a Bíblia para o Inglês] e John Hus [precursor da reforma e mártir, sendo queimado vivo por não negar a Cristo]) adornaram o cenário teológico.

Com a chegada dos séculos 16 e 17, temos homens tais como Martinho Lutero (figura central da Reforma Protestante), João Calvino (teólogo francês), John Knox (grande nome da reforma escocesa) e uma multidão de outros, sustentaram as doutrinas básicas Calvinistas.

Os Puritanos ingleses foram fortemente Calvinistas. Homens tais como John Owen (considerado um dos três maiores teólogos de todos os tempos) e John Bunyan (pregador Batista e autor do segundo livro mais vendido no mundo depois da Bíblia: O Peregrino) e todos os outros eram Calvinistas.

Os grandes credos da Igreja foram formulados durante este tempo. A Confissão Escocesa (1560), Confissão Belga (1561), Catecismo de Heidelberg (1563), Segunda Confissão Helvética (1566), Trinta e nove Artigos da Igreja da Inglaterra (1562, 1571), Cânones do Sínodo de Dort (1619), Confissão de Fé de Westminster (1647), Declaração de Savoy (1658), a Formula Consensus Helveticus (1675) e a Confissão de Fé Batista de Londres (1689) são todos eles credos Calvinistas.

Os séculos 17 e 18 viram Calvinistas tais como John Gill (o primeiro grande escritor teólogo Batista), George Whitefield (conhecido como o príncipe dos pregadores ao ar livre), Jonathan Edwards (pregador, teólogo e missionário aos índios americanos, autor do sermão pecadores nas Mãos de um Deus Irado), David Brainerd (deu sua vida por missões aos índios americanos, morreu com 29 anos, deixando um diário contando suas experiências com DEUS, o qual influenciou a muitos a darem sua vida no campo missionário), Adoniram Judson (missionário batista na Birmânia, onde ajudou na organização da língua birmanesa e na tradução da Bíblia para o birmanês), Luther Rice (o primeiro missionário batista a por os pés em terras brasileiras) e João Ferreira de Almeida (sim, o tradutor da Bíblia que você usa) serem usados poderosamente por Deus.

Os séculos 19 e 20 produziram outros Calvinistas notáveis. Charles Spurgeon (pastor batista considerado o príncipe dos pregadores, chegando a pregar para uma multidão de exatamente 23.654 pessoas e 14.692 pessoas foram batizadas sob seu pastoreado), Charles Hodge (grande exegeta [arte de interpretar a Bíblia] de sua época), William Carey (pastor batista conhecido como o pai das missões modernas e um dos fundadores da Sociedade Batista Missionária nos Estados Unidos, foi missionário na colônia dinamarquesa, Serampore, Índia, evangelizou e fundou escolas, traduziu a Bíblia para o bengali, sânscrito e inúmeras outras línguas e dialetos), George Müller (o príncipe entre os intercessores, deixou um diário com cerca de 50.000 de suas orações respondidas, costumava ler toda a Bíblia quatro vezes por ano, missionário entre os órfãos cuidou de 10.024 órfãos em sua vida, sendo conhecido por fornecer uma ótima educação para as crianças sob seus cuidados, estabeleceu 117 escolas que ofereciam educação cristã para mais de 120.000 crianças órfãs e em 20 anos construiu cinco grandes orfanatos na Inglaterra, sem pedir um centavo para ninguém, apenas orando e crendo na providência Divina), David Livingstone (missionário escocês na áfrica), Hudson Taylor (missionário inglês que dedicou 51 anos de sua vida na China, fundando a Missão no Interior da China, responsável pelo envio de mais de 800 missionários ao país que começaram 125 escolas e diretamente resultou na conversão de 18.000 pessoas, também como no estabelecimento de mais de 300 estações de trabalho com mais de 500 colaboradores locais em todas as dezoito províncias chinesas), John Newton (ex-traficante de escravo que após a conversão lutou pela abolição da escravatura nos Estados Unidos é o compositor do belo e mundialmente conhecido hino Amazing Grace), William Teophilus Brantley Jr. (enviado ao Brasil para examinar a possibilidade de enviar missionários) e milhares de outros.

Eu poderia continuar citando aqui nomes e trechos de biografias de grandes Batistas, homens fiéis a DEUS,  que eram calvinistas comprometidos, bem como firmes na evangelização, pois o Calvinismo tem caracterizado os batistas autênticos em sua história. O Calvinismo é a única doutrina sobre a qual podemos afirmar que é endêmico (exclusivamente ligada, inseparável, própria) à história, ao ensino e à herança dos batistas. Nós podemos correr uma linha dourada até o próprio Jesus Cristo, através de uma santa sucessão de vigorosos servos de DEUS, todos os quais defenderam estas gloriosas verdades; e podemos perguntar a seu respeito: Onde você encontraria homens melhores e mais consagrados no mundo?.

Eu tenho ouvido que o Calvinismo é uma "doutrina perigosa". Não sei quem terá a audácia de fazer esta afirmação quando considerar que os mais santos dentre os homens foram Calvinistas. Pergunto ao homem que se atreve a dizer que o Calvinismo é uma "doutrina perigosa", o que ele pensa do caráter de todos os nomes que foram  citados aqui, que em sucessivas eras foram grandes expoentes do Calvinismo; ou o que diria dos Puritanos, cujas obras são Calvinistas; ou dos primeiros missionários batistas que chegaram ao Brasil, também Calvinistas?

Portanto, aqueles que têm chamado o Calvinismo de "doutrina perigosa" infelizmente não sabem nada a seu respeito.

J.D. Berean (compilado)

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Calvino como Pastor, Evangelista e Missionário

Muitos conhecem a acusação de que os calvinistas se preocupam somente com doutrina e são indiferentes à evangelização e missões. Além disso, o calvinismo é acusado de ser  contraproducente em relação ao empreendimento de evangelização e missões. Isso é errado não somente no que diz respeito à história, conforme revela um exame da lista de grandes pastores-evangelistas e missionários que eram declaradamente calvinistas (ou seja, George Whitefield, Charles H. Spurgeon, William Carey, David Brainerd, Jonathan Edwards, etc.), mas também no que diz respeito ao próprio Calvino.


A paixão de Calvino como pastor-evangelista se revelou de várias maneiras. Calvino evangelizava persistentemente as crianças de Genebra, por meio de aulas de catecismo e da Academia de Genebra. Além disso, ele treinava pregadores a rogarem aos homens e mulheres que seguissem a Cristo. A visitação na enfermidade prescrevia uma conversa evangelística. Até uma análise superficial dos sermões de Calvino mostra de imediato um zelo permanente para que homens e mulheres fossem convertidos a Cristo.

E o que podemos dizer sobre missões? O Registro da Venerável Companhia de Pastores relata que 88 missionários foram enviados de Genebra. De fato, houve mais do que cem, e muitos deles foram treinados diretamente por Calvino.

Contudo, missões foram realizadas em um nível mais informal. Genebra se tornou o imã de crentes perseguidos, e muitos desses imigrantes foram discipulados e retornaram ao seu país como missionários e evangelistas eficazes.

Quando se acalmaram os tempos turbulentos no ministério pastoral de Calvino, surgiu a oportunidade para expansão missionária intencional e implantação de igrejas. A bênção de Deus sobre os esforços missionários de Calvino e das igrejas de Genebra, de 1555 a 1562, foi extraordinária — mais de 200 igrejas secretas foram implantadas na França por volta de 1560. Até 1562, o número crescera para 2.150, produzindo mais de 3.000.000 de membros. Algumas dessas igrejas tinham congregações que totalizavam milhares de membros. O pastor de Montpelier informou a Calvino, numa carta, que “nossa igreja, graças a Deus, tem crescido, e continua a crescer tanto a cada dia, que pregamos três sermões aos domingos para mais de cinco ou seis mil pessoas”.

Outra carta, do pastor de Toulouse, declarava: “Nossa igreja continua crescendo até ao admirável número de oito ou nove mil almas”. A amada França de João Calvino, por meio de seu ministério, foi invadida por mais de 1.300 missionários treinados em Genebra. Esse esforço, conjugado com o apoio de Calvino aos valdenses, produziu a Igreja Huguenote Francesa que quase triunfou sobre a Contra-Reforma católica na França.

Calvino não evangelizou e implantou igrejas somente na França.

Os missionários treinados por ele estabeleceram igrejas na Itália, Holanda, Hungria, Polônia, Alemanha, Inglaterra, Escócia e nos estados independentes da Renânia. Ainda mais admirável foi uma iniciativa que enviou missionários ao Brasil.

O compromisso de Calvino com a evangelização e missões não era teórico, mas, como em todas as outras áreas de sua vida e ministério, era uma questão de atividade zelosa e compromisso fervoroso.


Dr. Harry L. Reeder, pastor principal da Briarwood Presbyterian Church em Birmingham (Alabama) e, com David Swavely, autor do livro From Embers to a Flame: How God Can Revitalize Your Church.

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Powerade Coupons