quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O Sal da Terra - Martin Niemöller

Como líder do movimento “Jovens Reformadores” [Jungreformatorische Bewegung] e fundador da “Igreja Confessional” (Die bekennende Kirche) na Alemanha, o pastor luterano Martin Niemöller via o poder da Palavra de Deus como a única arma que a igreja dispunha contra o mal. Além do mais, a sua defesa das crenças históricas reformadas não era mero exercício de preservação de antigüidades, mas alicerçava-se na sua confiança de que estas verdades eram importantes em todas as épocas. Numa de suas cartas da prisão escreveu: “Não luto pelo argumento teológico luterano, mas pela igreja do nosso Senhor Jesus Cristo, pois os ataques de hoje não são apenas contra Lutero; e se Calvino é hoje desacreditado, não é ele, mas o Senhor Jesus Cristo”.

Foi preso pela Gestapo [a polícia secreta do Estado] em 1937 e posto na prisão de Berlin-Moabit, até que o seu caso fosse julgado oito meses depois. Mas, após ter cumprido a sua sentença, Adolf Hitler declarou, irado, que ele era um dos seus “prisioneiros pessoais” e o enviou para os campos de concentração de Sachsenhausen e Dachau onde foi libertado pelos aliados no fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Após a guerra ficou conhecido ao redor do mundo como o “pastor Niemöller”, por advertir sobre as lições do holocausto e a necessidade de comprometimento da igreja. Segue um excerto de um dos mais famosos sermões deste pastor, pregado para a igreja em Berlin-Dahlem, na Alemanha, em meados de 1936, pouco antes de sua prisão:

[…] “Vós sois o sal da terra; […] vós sois a luz do mundo” [Mateus 5.13-14].

Quando hoje li estas palavras, elas se tornaram, para mim, verdadeira novidade. Tornei atrás e as reli, e senti um refrigério interior quando encontrei, no quinto capítulo de Mateus, as palavras que as antecediam, as quais conhecia tão teoricamente: “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus”, e o texto vai adiante como se não houvesse interrupção entre a perseguição da comunidade de Jesus Cristo e o “vós sois o sal da terra; […] vós sois a luz do mundo”, mas como se estivessem diretamente relacionadas.

Devo dizer dessa passagem da Bíblia – que conheço desde criança – e que só hoje é que, pela primeira vez, compreendi esta seqüência de idéias, que o que o Senhor Jesus Cristo está falando aos Seus discípulos é: “Vós sereis injuriados e perseguidos, sereis acusados falsamente”, para logo imediatamente acrescentar, “vós sois o sal da terra; vós sois a luz do mundo”.

Entretanto, irmãos e irmãs, há algo nelas que parece não se ajustar às nossas tribulações. “Vós sois o sal da terra”. O Senhor Jesus não quer dizer, entretanto, que devamos cuidar em distribuir o sal entre as pessoas, mas chama a nossa atenção para uma outra responsabilidade: “E se o sal for insípido, com que se há de salgar?” A nossa responsabilidade não é como passaremos o sal, mas, como veremos, como é que o sal é e deve continuar a ser sal para que o nosso Senhor Jesus Cristo – que é, por assim dizer, o cozinheiro responsável por este grande cozimento – possa utilizá-lo conforme Seus propósitos.

Irmãos e irmãs, em resposta à questão em que se é, ou não, possível ao Senhor Jesus Cristo prestar assistência prática ao nosso povo hoje, sou obrigado a dizer que não vejo hoje a menor possibilidade de se prestar assistência, entre o povo, ou em que o sal pode ser usado no meio do povo. Mas, irmãos e irmãs, isso não é da nossa alçada, mas do Senhor Jesus. Devemos tão-somente cuidar para que o sal não perca seu sabor, isto é, que não perca a sua capacidade de salgar. Que quer dizer isto?

O problema com o qual devemos nos preocupar é como salvar, neste momento, a comunidade cristã, do perigo de ser lançada no mesmo caldeirão do mundo; quer dizer: ela deve guardar-se distintamente do resto do mundo através da virtude de sua “salinidade”. Como a comunidade de Cristo é diferente do mundo?

Temos passado por dias de perigo – que não acabaram ainda – quando nos é dito: “Tudo será bem diferente quando, como Igreja, deixarem de pregar aquilo que é contrário a tudo quanto todo mundo em torno de vocês está pregando. Devem adequar a sua mensagem ao mundo; devem realmente ter o credo de vocês em harmonia com o presente, e então tornar-se-ão novamente influentes e poderosos”.

Caros irmãos, é isso que significa o sal perder o seu sabor. Não cabe a nós preocuparmo-nos como o sal é utilizado, mas certificarmo-nos de que ele não perca o seu sabor. Aplicando uma antiga divisa de quatro anos atrás: “O Evangelho deve continuar a ser o Evangelho; a Igreja deve continuar a ser a Igreja; o Credo deve continuar a ser o Credo; os cristãos evangélicos devem continuar a ser os cristãos evangélicos”. E – pelos céus – não devemos produzir um evangelho alemão tomado do Evangelho; não devemos – pelos céus – construir uma igreja alemã tomada da Igreja de Cristo; e – por amor a Deus – não devemos fazer cristãos alemães tirados dos cristãos evangélicos!

A nossa responsabilidade é esta: “Vós sois o sal da terra”. É precisamente quando fazemos o sal estar de acordo e em harmonia com o mundo que tornamos impossível ao Senhor Jesus Cristo, através da Sua Igreja, fazer qualquer coisa em nossa nação. Mas se o sal continuar a ser sal, confiemo-lo a Ele que o usará de maneira que se tornará uma bênção. […]

Caros amigos, é nosso trabalho a obrigação de não cessar nossos esforços em favor da pregação da Palavra, para que a Palavra do nosso Senhor Jesus Cristo seja cumprida em nós. Somos a cidade sobre o monte à qual foi prometido que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela. […]

Irmãos e irmãs, a cidade de Deus não será aniquilada pela tempestade. Jamais será conquistada, mesmo que seus inimigos tomem seus muros exteriores. A cidade de Deus permanecerá, porque a sua fortaleza vem do alto, por que o Cordeiro está com ela, portanto permanecerá firmemente estabelecida. […]

E que Deus nos ajude a aprender essa verdade!

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Artigo publicado originalmente na revista Modern Reformation volume 5, issue 4 (July/August 1996), e traduzido e publicado na revista Os Puritanos ano 5, no 3 (Maio/Junho 1997), p. 22. O sermão completo se encontra em: www.abcog.org/niemoll.htm.






quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Mosteiros Evangelicos

 Tem muita gente se escondendo atrás de ministérios e atividades da igreja, igrejas de costumes rigorosos e rígidas disciplinas, campos ou agencias missionárias, constantes retiros, encontros tremendos, com o fim de desintoxicá-lo do mundo, fazendo desses seus conventos, seus mosteiros, crendo que assim poderão escapar do pecado, ou que terão menos influência de seu coração corrupto, caminhando para a santificação, porem, esse não é o melhor caminho para a santificação. Como disse John Ryle:
A verdadeira santificação não leva o crente a evitar as dificuldades, antes, leva-o a enfrentá-las e conquistá-las. [...] O tipo bíblico do homem santificado não é o homem que se oculta em uma caverna, mas que glorifica a Deus sendo senhor ou servo, sendo pai ou filho, na família ou nas ruas, no mundo dos negócios ou comércios. Nosso Senhor mesmo disse em Sua ultima oração: “Não peço que os tire do mundo; e, sim que os gurde do mal” (Jo 17.15).

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Quem somos nós para Julgar ??

 "Quem somos  nós para julgar?"
Muitos os Julgam, mas quem somos nós para julgarmos alguem? isso cabe só a Deus, o que podemos fazer é orar por cada um deles!
Como? Não devemos julgar? Como assim? Acaso, não foi Paulo quem disse que nós iremos julgar o mundo? E mesmo, que devemos julgar as coisas desta vida? Não foi ele quem disse que devemos expulsar os malfeitores (falando da igreja)? Como pode fazer isso sem julgar?

Não foi o mesmo Apóstolo quem nos ensinou que “o homem espiritual julga todas as coisas, sendo, porem, ele mesmo não é julgado por ninguém”? Ou antes, quem escreveu: julguem vocês mesmos o que “eu” digo?

Mas quem foi Paulo para falar de julgamento, quando o próprio Cristo disse: “Não julguem, para que vocês não sejam julgados”? Ou será que somos nós entendemos errado a fala de Jesus, nos esquecendo do que, logo após Ele diz: “da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados”?

O julgamento que Jesus ensina aqui, não é o julgamento ensinado hoje, que nos mantém cativos aos falsos ensinamentos de falsos mestres, sem que possamos contestá-los. Jesus não está proibindo o julgamento, Ele mesmo disse aos fariseus: “por que não julgais também por vós mesmos o que é justo?”.

O julgamento de Mateus 7, que é tão mal usado para defender as obras de muitos falsos profetas, fala na verdade sobre a crítica e o mau julgamento em cima da pessoas, quando os nossos pecados são ainda maiores. É só lermos atentamente Mateus 7:1-5 algumas vezes para perceber essa verdade.

Agora, sobre os tais “homens de Deus”, realmente concordo que alguns desses são verdadeiramente fieis servos de Deus, no entanto, outros dos que estão na imagem são gigantemente usados para a vergonha do nome de Deus, com falsos ensinamentos e doutrinas de demônios, pregando somente aquilo que enche o ego das pessoas, prometendo o mundo, distorcendo a bíblia e criando inimigos de Deus, pessoas feridas em sua fé. Se hoje a igreja tem tantos inimigos, alguns dos maiores culpados estão aí na imagem, entre outros, que não foram colocados na imagem.

“O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios. Tais ensinamentos vêm de homens hipócritas e mentirosos, que têm a consciência cauterizada” 1Tm 4:1,2

Ah, e “quem somos nós para julgar”?

Eu sou um filho de Deus, que luta sim contra os falsos ensinamentos e falsos profetas, e lutarei por uma igreja mais saudável, mais pura e mais humilde. Mesmo que não consiga ver em vida, mas estou bem certo que verei na eternidade.

Referências: Lc 12:57; 1Co 2:15; 1Co 10:14,15; 1Ts 5:21; 1Co 5:12,13; 1Co 6:1-5; Mt 7:1-5; MT 18.15-17; João 7.24
 

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