O
sistema de doutrina que carrega o nome de João Calvino de forma alguma foi
originado por ele (o próprio Calvino repudiava contundentemente este apelido).
Calvinismo é meramente um apelido pelo qual os teólogos referem-se ao dogma
ensinado por toda a Sagrada Escritura, inclusive na doutrina apostólica.
Calvino foi quem elaborou, pela primeira vez, estes princípios doutrinários em
um sistema formal, porém estes princípios doutrinários não se originaram com
João Calvino, mas sim das Escrituras Sagradas.
Historicamente
a Igreja Cristã tem sido predominantemente Calvinista. O segundo e terceiro
século não produziram um tratado de teologia sistemática per se (por si só),
mas os escritos do período Patrístico (teólogos a partir do final do século I,
logo que o Novo Testamento foi concluído) revelam o Calvinismo. As doutrinas
destes primeiros anos foram desenvolvidas adicionalmente durante o tempo de
Agostinho de Hipona (354-430 d.C), uma das maiores mentes teológicas que Deus
já deu à sua igreja. Agostinho foi tão fortemente Calvinista, que João Calvino
referia a si mesmo como um teólogo Agostiniano. A teologia de Agostinho dominou
a igreja por um milênio. Durante este período da Idade Média (400-1500 d.C),
vários Calvinistas (e.g., John Wycliffe [traduziu a Bíblia para o Inglês] e
John Hus [precursor da reforma e mártir, sendo queimado vivo por não negar a
Cristo]) adornaram o cenário teológico.
Com
a chegada dos séculos 16 e 17, temos homens tais como Martinho Lutero (figura
central da Reforma Protestante), João Calvino (teólogo francês), John Knox
(grande nome da reforma escocesa) e uma multidão de outros, sustentaram as
doutrinas básicas Calvinistas.
Os
Puritanos ingleses foram fortemente Calvinistas. Homens tais como John Owen
(considerado um dos três maiores teólogos de todos os tempos) e John Bunyan
(pregador Batista e autor do segundo livro mais vendido no mundo depois da
Bíblia: O Peregrino) e todos os outros eram Calvinistas.
Os
grandes credos da Igreja foram formulados durante este tempo. A Confissão
Escocesa (1560), Confissão Belga (1561), Catecismo de Heidelberg (1563),
Segunda Confissão Helvética (1566), Trinta e nove Artigos da Igreja da
Inglaterra (1562, 1571), Cânones do Sínodo de Dort (1619), Confissão de Fé de
Westminster (1647), Declaração de Savoy (1658), a Formula Consensus Helveticus
(1675) e a Confissão de Fé Batista de Londres (1689) são todos eles credos
Calvinistas.
Os
séculos 17 e 18 viram Calvinistas tais como John Gill (o primeiro grande
escritor teólogo Batista), George Whitefield (conhecido como o príncipe
dos pregadores ao ar livre), Jonathan Edwards
(pregador, teólogo e missionário aos índios americanos, autor do sermão pecadores
nas Mãos de um Deus Irado), David Brainerd
(deu sua vida por missões aos índios americanos, morreu com 29 anos, deixando
um diário contando suas experiências com DEUS, o qual influenciou a muitos a
darem sua vida no campo missionário), Adoniram Judson (missionário batista na
Birmânia, onde ajudou na organização da língua birmanesa e na tradução da
Bíblia para o birmanês), Luther Rice (o primeiro missionário batista a por os
pés em terras brasileiras) e João Ferreira de Almeida (sim, o tradutor da
Bíblia que você usa) serem usados poderosamente por Deus.
Os
séculos 19 e 20 produziram outros Calvinistas notáveis. Charles Spurgeon
(pastor batista considerado o príncipe dos pregadores, chegando a pregar para uma multidão de exatamente
23.654 pessoas e 14.692 pessoas foram batizadas sob seu pastoreado), Charles
Hodge (grande exegeta [arte de interpretar a Bíblia] de sua época), William
Carey (pastor batista conhecido como o pai das missões modernas e um dos fundadores da Sociedade Batista Missionária nos
Estados Unidos, foi missionário na colônia dinamarquesa, Serampore, Índia,
evangelizou e fundou escolas, traduziu a Bíblia para o bengali, sânscrito e
inúmeras outras línguas e dialetos), George Müller (o príncipe
entre os intercessores, deixou um diário
com cerca de 50.000 de suas orações respondidas, costumava ler toda a Bíblia
quatro vezes por ano, missionário entre os órfãos cuidou de 10.024 órfãos em
sua vida, sendo conhecido por fornecer uma ótima educação para as crianças sob
seus cuidados, estabeleceu 117 escolas que ofereciam educação cristã para mais
de 120.000 crianças órfãs e em 20 anos construiu cinco grandes orfanatos na
Inglaterra, sem pedir um centavo para ninguém, apenas orando e crendo na
providência Divina), David Livingstone (missionário escocês na áfrica), Hudson
Taylor (missionário inglês que dedicou 51 anos de sua vida na China, fundando a
Missão no Interior da China, responsável pelo envio de mais de 800 missionários
ao país que começaram 125 escolas e diretamente resultou na conversão de 18.000
pessoas, também como no estabelecimento de mais de 300 estações de trabalho com
mais de 500 colaboradores locais em todas as dezoito províncias chinesas), John
Newton (ex-traficante de escravo que após a conversão lutou pela abolição da
escravatura nos Estados Unidos é o compositor do belo e mundialmente conhecido
hino Amazing Grace), William Teophilus Brantley Jr. (enviado ao Brasil para
examinar a possibilidade de enviar missionários) e milhares de outros.
Eu
poderia continuar citando aqui nomes e trechos de biografias de grandes
Batistas, homens fiéis a DEUS, que eram calvinistas comprometidos, bem
como firmes na evangelização, pois o Calvinismo tem caracterizado os batistas
autênticos em sua história. O Calvinismo é a única doutrina sobre a qual
podemos afirmar que é endêmico (exclusivamente ligada, inseparável, própria) à
história, ao ensino e à herança dos batistas. Nós podemos correr uma linha
dourada até o próprio Jesus Cristo, através de uma santa sucessão de vigorosos
servos de DEUS, todos os quais defenderam estas gloriosas verdades; e podemos
perguntar a seu respeito: Onde você encontraria homens melhores e mais
consagrados no mundo?.
Eu
tenho ouvido que o Calvinismo é uma "doutrina perigosa". Não sei quem
terá a audácia de fazer esta afirmação quando considerar que os mais santos
dentre os homens foram Calvinistas. Pergunto ao homem que se atreve a dizer que
o Calvinismo é uma "doutrina perigosa", o que ele pensa do caráter de
todos os nomes que foram citados aqui, que em sucessivas eras foram
grandes expoentes do Calvinismo; ou o que diria dos Puritanos, cujas obras são
Calvinistas; ou dos primeiros missionários batistas que chegaram ao Brasil,
também Calvinistas?
Portanto,
aqueles que têm chamado o Calvinismo de "doutrina perigosa"
infelizmente não sabem nada a seu respeito.
J.D. Berean (compilado)

08:34
Leo Schoen

2 comentários:
Por favor citar a fonte do artigo: www.obereano.blogspot.com
J.D. Berean, desculpe, era pra estar linkado no nome, vou linkar novamento ;) .... vlws
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